Como a psicopedagogia clínica muda a vida das crianças

“Na minha concepção, o grande aporte que a Psicopedagogia Clínica oferece para a criança é a possibilidade de fazer uma atuação preventiva, evitando que um problema se configure em um transtorno maior, ou seja, um prejuízo funcional, trazendo consequências não só do ponto de vista da aprendizagem, como também emocional nas próximas fases da vida do indivíduo”, detalha Mara Cristina Carmona de Almeida, professora do módulo de Diagnóstico e Intervenção Psicopedagógica Clínica na Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Universidade de Sorocaba (Uniso).

Para a mestra em Psicologia Clínica, esse diagnóstico precoce e a intervenção são necessários porque evitam a amplificação de uma dificuldade que, no futuro, poderia se consolidar em um transtorno. “Estamos falando de crianças a partir de dois anos até os 12 anos de idade, e é uma fase em que os impactos deixam marca profundas”, completa Mara Cristina.

Quando começam as mudanças

“Ao mesmo tempo em que inicia o diagnóstico, o psicopedagogo já começa com a criança o processo de ajuda. Esse ponto inicial muda muitas questões na vida do paciente. É no diagnóstico que surge a oportunidade de orientar pais e educadores para melhor atender às necessidades da criança”, conta a professora da Pós-Graduação da Uniso.

“É a partir do diagnóstico que o profissional oferece uma proposta de ressignificação do processo de aprendizagem. Também na fase do diagnóstico é que o psicopedagogo clínico atua com outros profissionais, como fonoaudiólogo e neuropediatra.

É preciso identificar o porquê de a criança não aprender. No diagnóstico é compreendido o contexto em que a criança está sendo criada, o ambiente familiar e até os aspectos genéticos. “É sabido que muitas dessas dificuldades e transtornos de aprendizagem são de origem genética. Portanto, a intervenção abrange os familiares também. Tratamos pais disléxicos, por exemplo”, explica Mara Cristina.

O brincar como instrumento de desenvolvimento

“O ato de brincar atua como uma das possibilidades de se promover a aprendizagem, em que a criança desenvolve habilidades sociais, intelectuais, físicas e criativas. As brincadeiras são importantes instrumentos pedagógicos, no desenvolvimento das habilidades de atenção e concentração, tão necessárias no processo de aprendizagem. Por essa razão trabalhamos com várias brincadeiras, incluindo as tradicionais”, esclarece a professora.

“Usamos, por exemplo, a amarelinha. Com o uso dos quadrados para se movimentar, a criança é estimulada, começa a se relacionar com os numerais, aprende a respeitar limites, treina o controle motor, ritmo, freio inibitório e as noções de lateralidade como esquerda e direita. Importante perceber como uma brincadeira tão tradicional pode acrescentar tanto ao desenvolvimento”, explica.

Mas as ferramentas para o desenvolvimento da criança passam por leitura, escrita, raciocínio lógico, sempre dentro do contexto e das necessidades da criança.

“De outro lado, orientamos os adultos que convivem com a criança. Eles devem se envolver na atividade da criança e criar uma rotina para ela. Estimulá-la a se organizar. Também precisam estimular a criança a desenvolver a leitura, a interpretação, participar de dramatizações. Tudo isso contribui para o melhor desenvolvimento da criança”, conclui a professora Mara Cristina.

Mara Cristina Carmona de Almeida: Mestra em Psicologia Clínica com ênfase em Políticas Públicas de Prevenção ao Suicídio, professora no curso de Psicopedagogia Clínica da Pós-Graduação da Universidade de Sorocaba, onde ministra o módulo de Diagnóstico e Intervenção Psicopedagógica Clínica.