Home office: como diminuir o estresse no novo ambiente de trabalho

Para o doutor Paulo Roberto Teixeira Júnior, professor da Pós-Graduação
da Universidade de Sorocaba (Uniso) na área de Recursos Humanos, o
primeiro ponto de reflexão quando se buscam formas de diminuir o
estresse no ambiente de trabalho é compreender que a sensação não está
circunscrita ao espaço físico, mas à própria atividade do trabalho.
“Hoje as pessoas trabalham em suas casas, que seria o ambiente mais
antiestresse do mundo, mas, por causa dessa mudança abrupta, se tornou
estressor”, explica o professor se referindo ao home office imposto pelo
isolamento social.

Qual a origem do estresse no trabalho?
“O estresse no trabalho decorre das relações entre as pessoas e da carga
de afazeres imposta”, explica.
“Existem empresas que possuem um ambiente maravilhoso, mas a carga
de trabalho é extremamente estressora. Em compensação, há empresas
com instalações muito simples, mas nas quais as relações de trabalho e a
carga dele são muito leves”, esclarece o professor.
“Hoje os profissionais estão trabalhando em um ambiente mais leve
possível, a casa, mas o nível de estresse de quem está trabalhando em
casa está altíssimo em função da carga de trabalho e tempo de resposta”,
conclui.

Características do home office em tempos de isolamento social

“Nesse novo sistema home office, que se tornou praticamente
compulsório da noite para o dia, o profissional tem que dar conta de uma
carga de trabalho não prevista, combinada com uma velocidade que
também não estava impressa”, explica.
Um exemplo que chama a atenção é o dos professores, de todos os níveis
de ensino, que se viram obrigados, em questão de dias, a planejar e
executar atividades e aulas, antes presenciais, pela internet, a distância.
“Um dos fatores mais estressantes do home office advém de o elemento
tempo ficar frouxo e a jornada de trabalho normalmente ser ampliada. E
tudo acaba se confundindo. O profissional faz uma refeição ou vai ao
banheiro, leva o celular e responde, por mensagem de texto, um cliente,
um aluno, um prestador de serviços, um parceiro de atividade
profissional”, relata.
Ele também explica que o trabalho isolado também é complicado por
conta da ausência do elemento relacional. “Em boa parte das profissões as
pessoas trabalham juntas. O brasileiro adora beijo, feliz aniversário na
copa da empresa, e deverá se ressentir disso”.

Dicas para lidar com o home office durante o isolamento social
Trabalhando em casa, o profissional se vê envolvido com a rotina
doméstica, o que também pode ser um fator estressante. Portanto, o
professor Paulo Teixeira aconselha: planeje os horários das atividades,
separando o máximo possível a vida profissional da vida pessoal.
O professor é direto ao afirmar: seja mais generoso consigo mesmo. “Não
se imponha um nível de responsabilidade e de exigência que só o

angustia. Estabeleça metas reais. Não se force a ser o que não é. Ninguém
tem a obrigação de aprender da noite para o dia, ou a criar um sistema
que chamamos de autorregulação e colocar em prática. Tenha paciência e
tolerância consigo mesmo, dê a você os devidos intervalos. Ponha em dia
aquelas séries que estão atrasadas na sua vida. Permita-se
entretenimento puro e descomprometido.”
Ele alerta que devem ser estabelecidos horários e rotinas, com
marcadores claros, para produzir uma determinada distância entre a vida
pessoal e o trabalho. “Esse é um imperativo de saúde mental. Acabou o
trabalho, despluga do wi-fi. Sem apavoramento. Quem realmente precisa
falar com você em uma emergência tem outras formas de contatá-lo”.